Persistir

O processo do luto
É dividido em fases
Que vão desde a negação
Até a última aceitação.

Em processos que separam
Aceitar e resignar.

Que a morte seja
Um aviso constante
da vida que resguarda.

Que a morte nos lembre
Dos corpos perdidos
E nomes esquecidos.
.
.
.
.
.
Um minuto de silêncio àqueles que partiram.
.
.
.
.
.
Os processos de luto
Não são sobre paralisia.
São sobre renascer
E aceitar a dor.

E uma vez renascido,
Relembrar.
E uma vez relembrado,
Persistir.
.
.
.
.
.
Um minuto de paz àqueles que ficaram.
.
.
.
.
.
Luto é substantivo.
Mas também é verbo.

Meu luto,
Seu luto,
Eu luto.

Lutemos. 

31/03/2021

Queimação

Começa nos pés.
Formiga de leve 
Me deixa dormente
Me deixa em brasa.

Fogo que sobe
Arrepio dos pelos
Mão nas coxas
Dedos em casa.

Paixão de fogo
Ou regada a veneno?
Me toma o ar
Me deixa sem graça.

 Fogo se esvai
Só resta fumaça
Dançando contra a luz
E envolvendo meu peito.

De fogo pra fumaça
 é um pulo súbito.
E você foi 
Queimação em vão.


30/03/2021

Áudios à deriva

 Quero que me perdoe por deixar seus áudios à deriva; navegando por entre nuvens e entre conversas de amigos que respondi sem nem mesmo piscar duas vezes. Sua voz me eleva e me transporta a um eu que ainda desconheço. Seus pensamentos me instigam a adentrar você. Aos seus jeitos e manias. Seus defeitos e inteligência. seus áudios não foram ouvidos e respondidos porque não pude deixar de ser eu no dia de hoje. precisei fechar-me em mim, me manter no porto seguro. A instabilidade de me esquecer por uns instantes me assusta. Quero que silenciosamente me perdoe. Pois essas desculpas jamais lhe serão ditas. Ser  meu próprio porto seguro, é, também, solitário às vezes.

25/03/2021

Quase sempre, nunca

Quase sempre
Vivo em nuncas
Que saem da minha boca
Como se minha vida dependesse disso.

Não é que sou fria
Ou frígida
Ou distante de tudo.

Eu carrego a intensidade
Por sobre ombros e abraços
E beijos e carícias.

Digo nunca
Pois quase sempre
Tudo
é excessivo demais.

24/03/2021

Neruda

Neruda me disse
Que poderia escrever os versos mais tristes essa noite.

As mortes do dia a dia
O desespero nos olhares,
A crise que se instala.

Blablabla
Blablabla
Blabla

Eu me fecho dentro de mim
Pra não ver a noite passar.
Peço distância do caos que se forma.

Não, Neruda,
Você errou a sentença.
Essa noite é pior
Que os meus versos mais tristes.

18/03/2021

refazer depois - tá ruim

MELHORAR ISSO DAQUI HEIN SIL

A todo momento
Amores antigos
Ecoam e ressoam
No meu pensamento.

Meus erros e os erros deles
Meus risos e os risos deles
Minhas mágoas e as mágoas deles.

Amores antigos 
nunca se vão de fato.
Carregam o fardo
De serem constantes.

Os pedaços que deixei 
E aqueles que levei.
Amores antigos
Na minha estante.

A gente nunca esquece quem amou de verdade.

Assim se perdem revoluções (Prólogo ?)

O dia era 24 de Janeiro de 1920. As ruas estavam lotadas e superpopuladas. Não que isso fosse característica exclusiva dos dias 24 de Janeiro. As ruas estavam sempre superpopuladas no país de sijdo. A diferença que demarcava aquele dia eram as cores que explodiam em cada janela e telhado de vidro. Laranjas, amarelos, azuis e verdes pulavam às vistas dos transeuntes, nos lugares anteriormente ocupados pela longa e completa paleta de cinzas e brancos que dominavam o centro da cidade. A euforia, o suor e a cerveja eram resultado do feriado da Revolução Cultural, comemorado de 4 em 4 anos no dia 24 de Janeiro. 

Mil novecentos e vinte anos atrás, um grande meteoro havia passado suficientemente perto da Terra a ponto de causar queimaduras de terceiro grau nas peles alvas de pouca melanina. Simultaneamente, 6.745 pessoas tiveram a mesma percepção acerca da realidade humana. E, de alguma forma, sabiam que não estavam sozinhas. Acharam umas às outras pelas redes sociais e começaram o União Internacional Cultural  Ambientalista, ou UICA, que basicamente afirmava que a realidade material em que vivíamos não era suficiente para explicar a realidade por completo. E que a culpa dessa insuficiência era a organização social em que vivíamos. A UICA pregava o fim das divisões territoriais em federações e a re-união dos indivíduos ao ambiental, integrando cidades e florestas como se fosse um. Eles acreditavam que, uma vez que o ser humano se reintegrasse ao natural, seria capaz de perceber sua finitude e pequenez frente ao planeta em que vive e frente a imensidão do universo. 

E para tal, acreditavam que determinados hábitos, parte das culturas mundiais, deveriam ser repensados e reconstruídos. Eles defendiam a divulgação científica, para garantir a todos a possibilidade de terem ciência do quanto que nenhum de nós sabe sobre o todo e ao mesmo tempo o quanto podemos aprender e melhorar se parássemos para dividir e ouvir uns aos outros. UICA defendia a vida rural e o retorno das pequenas comunidades, para um aprofundamento das relações interpessoais e uma maior inserção dos sujeitos no ciclo natural. Defendiam o desenvolvimento a longo prazo de expedições espaciais. O sonho que essas 6745 pessoas possuíam não era absolutamente nada novo. Era um simples misto de múltiplos ideais que pipocavam na sociedade da época. A diferença era simplesmente o preenchimento de ideias que há muito vinham se esvaziando. Sim, a UICA preencheu e deu vida à diversos discursos, numa certa dose de idealismo. Talvez tenha sido o idealismo que deu força ao movimento. O idealismo delineia o horizonte de qualquer discurso. É através do idealismo que as pessoas caminham. Ao almejar o ideal, apesar de nunca realmente alcançá-lo, a realidade começa a se transformar. 

O fato é que ninguém sabe ao certo como ocorreu, mas se sabe que os culturais ambientalistas, espalhados pelo mundo, começaram a organizar imensas manifestações. Dissidentes entravam em conflito com forças armadas, alguns evocavam o direito da simples desobediência civil, alguns procuravam firmar negociações com Estados para proteger pelo menos alguns de seus ideais. Algumas reformas começaram a ser realizadas por parte dos estados para conter a imensa fúria dos culturais-ambientalistas que se espalhava entre a população. E o mais surpreendente era que não havia ao certo nenhuma oposição organizada. Além dos governantes estatais e das altas cúpulas governamentais, ninguém das populações se levantava contra o UICA. Havia pautas para todos. Naquela época, seria possível adentrar num ônibus e encontrar pessoas de filosofias de vida completamente diferentes que alegariam serem Cultural-Ambientalistas.

 Quinze anos após a passagem do cometa, nem mesmo os 6.745 idealistas originais concordavam entre si. Alguns flertavam com o marxismo e queriam a revolução proletária como parte das pautas principais. Alguns haviam adotado o reformismo, apoiando os discursos dos governos que se comprometeram em acirrar as políticas ambientais e garantir melhor integração com o natural. Alguns argumentavam que deveriam esperar as reformas organizadas pelos Estados e depois se apropriar das estruturas estatais para tornar o movimento mais efetivo. Nenhuma de suas conferências resultavam em consenso mais. As conferências rarearam e o movimento foi aos poucos perdendo a unidade. Mas o que ninguém esperava era o surgimento de uma nova força no cenário de apoio à causa UICA. Empresas multinacionais começaram a financiar os grandes encontros na União e estimular suas pautas. A divulgação científica passou a estar presente nas políticas de empresa. As empresas adotaram políticas ecológicas que garantiam maior integração ao ambiente natural. Passaram a utilizar as cores verde e dourado - saúde e riqueza - em seus logotipos como forma de assegurar a todas e todos que seu discurso era real e procurava atender a população. As multinacionais começaram movimentos de não pagar os impostos aos Estados e aumentar o salário dos funcionários, afirmando ser decorrência direta da inadimplência fiscal. Os embates entre estados-empresas tomou proporções imensas, principalmente quando trabalhadores começaram a tomar lado nessa disputa. O movimento UICA, inclusive, se dividiu praticamente ao meio. O que antes era uma frente unida e coerente foi, pouco a pouco, desmembrando à luz da vaidade, do ódio, da corrupção e simples divergências culturais.

Sessenta e dois anos após a passagem do cometa, os Estados estavam praticamente extintos. A união das forças empresariais foi suficiente para extinguir e minar as forças de 185 dos 193 países existentes. Apenas 8 países resistiam bravamente no mundo, enquanto 4 deles já haviam feito acordos e tratados para garantir seu funcionamento. Foi assim que uma nova ordem mundial foi instaurada. A vida da população não estava mais à mercê das vontades governantes e falsos representantes do povo. Todos passaram a viver de acordo com políticas empresariais, que variavam desde empresas que adotaram sistemas democráticos dentro de si até enormes impérios pautados na hereditariedade. Alguns já estavam em grandes empreitadas de aumento exorbitante dos próprios lucros. Como os UICA um dia idealizaram, não havia mais limites e fronteiras entre países. Alguns caminhavam felizes nas ruas, com a certeza de que tudo estava finalmente tomando os rumos certos.  Após o fim da organização mundial que imperou durante milênios, as empresas continuaram a batalhar entre si por controle e por maximização dos lucros. Mas havia um acordo não dito de preservar os feriados, festas de fim de ano e ocasionais fins de semana, apesar de já terem começado o plano de revolucionar a contagem dos anos e dos calendários. 

Mil novecentos e vinte anos após a passagem do cometa, as semanas possuíam 14 dias de semana e um de descanso. O feriado mais aguardado por todos era o feriado da Revolução Cultural, que ocorria de 4 em 4 anos, onde as maiores empresas do mundo liberavam todos os seus funcionários por o período de 1 mês. Durante o primeiro dia, todos saíam à rua, comemorando, bebendo aos montes e celebrando por estarem vivos. O carnaval brasileiro foi exportado ao mundo inteiro, como uma forma de celebrar a vida. A bandeira da UICA tremulava por sobre os prédios, como um recordar do glorioso momento em que o ser humano havia se libertado das amarras territoriais. Um frescor de esperança atingia os rostos. Mas entre becos e esquinas, ainda rezava a lenda de quando o último idealizador do movimento morreu, um diabético de 92 anos, havia sido em uma overdose calculada de açúcar no sangue, após tomar 38 refrigerantes de diferentes marcas e pertencentes a uma única empresa. Seu nome ninguém nunca soube.

Ciganagem

Como cigano leu minhas linhas 
Nas entrelinhas 
Escondidas em minhas curvas
E minhas mãos geladas.

Roubou tudo o que eu tinha.
Hipnotizada
Nos brincos de ouro
E na luz que refletia.

Como cigano, incompreendido
Perdido 
em amores roubados
E suspiros tragados
Na rouparia fina.

Flutuando entre cidades
E personalidades 
Que me confundiam.

Cigano,
Eu me dei por inteira.
E você,
Roubou tudo o que eu tinha.


A gente nunca sabe

Não importa se temos
Algumas horas,
Alguns dias,
O tempo infinito.
Que esse dia seja o último.

Beije minha boca
Com  o desespero de quem busca ar
Enlace meus braços
Como quem procura base numa queda súbita
Sinta meu corpo 
Como se nunca mais fosse adentrá-lo.
Que esse dia seja o último.

Me olha,
Me come,
Me cheira,
Me traça.

Sem futuro,
Sem amanhã. 

Com pressa de mim,
Com pressa de hoje.

São tempos tenebrosos de guerra.
A gente nunca sabe 
Quando vai se ver outra vez.

13/03/2021

Calça Jeans

Perguntaram-me na loja
Se a calça 38 passaria na minha bunda.
Mas é claro que não.
Engordei o caralho de 6 quilos nessa pandemia.

Engoli todos os meus medos
E preocupações
E certezas abrasivas
Para conseguir viver.

A 38 não passa na minha bunda
Desde que fiz 18 anos.

E não há cintura adulta 
Feminina e brasileira
Que não viva em minha pele.

10/03/2021 

Como Deus

Às vezes o peito não aguenta. Certos dias me pego encontrando meu lugar no mundo. Percebo que sou o que sou. Percebo até onde minhas ideias podem ir. Percebo meu cabelo demasiadamente longo que pende pesado em minha cabeça. Percebo meus pés frios incapazes de tocar o chão.

Em certos dias eu me vejo por inteira. As partes boas e as partes ruins. Me enxergo como o corpo que sou, habitando e interagindo com o mundo que me rodeia. Tenho a habilidade de enxergar, num efeito dominó, tudo aquilo que fiz. Os sorrisos que causei. Os corações que parti.

Em certos dias, sou como Deus: onisciente e onipotente. A realidade me atinge sem uma brecha para a fantasia. Sem amores, sem emprego e sem Brasil. Eu vejo tudo claramente. E meu peito não aguenta.

09/03/2021

Tudo o que eles dizem

 "Você nunca vai ser paga", eles dizem. Eles dizem que o dinheiro vale mais que a minha alma. E que alma é coisa de criança. Eles dizem que eu me dobro como a roupa limpa recém-guardada na gaveta, sem enxergar que me estico como tábua de passar aguentando o calor. Dão a mim o rótulo de empoeirada e dizem que eu pertenço à escuridão pequena e contida que me foi designada ao armário. Dizem que sou inevitavelmente futuro fracasso; o caminho fadado aos erros.

E eu sou a falha. Trabalhei para o diabo dia sim dia não ao longo dos anos. Cometi erros por desequilíbrios que não sabia que carregava. Me contorci noites a fio para poder entendê-los. Às vezes, num instante mais rápido que o sol, me pego lembrando das vezes que não me levantei quando deveria. Das horas que passei mentindo a mim mesma porque era mais fácil que assumir a verdade. Dos minutos que deixei o mundo engatar um pouco mais perfeitamente dentro dos trilhos enferrujados e tenebrosos que o fazem girar em torno de si mesmo.

"Não se pode abraçar o mundo com as pernas", eles dizem. Tem dias que é difícil amar o mundo quando suas pernas são tão pequenas e ele é tão grandioso. Às vezes alguém que carrega óleo em suas mãos, limpando e engrenando trilhos fora do lugar é atropelado de súbito; nocauteado como um lutador de UFC que se distrai por um único instante. O mundo passa por cima como se sua vida não importasse. Devorando seus cheiros, sonhos e emoções. Ele estraga a sua pele. Te compele a danificar seus órgãos vitais. O mundo te engole.

Tem manhãs que sou Ismael em Moby Dick. Um pequeno marujo deglutido por uma imensa baleia branca; desbravando territórios desconhecidos que me apontam o quanto ainda não sei. Eu batalho com olhos abertos e uma confiança inabalável. Mas às vezes é difícil perder a paz. Desbravar territórios me gasta as energias e me toma as noites de sono. E então eu desisto. Navegando à deriva. Novamente um erro atrás do outro.

"É só uma fase", eles dizem. Sem notar o desespero que me assola e a respiração entrecortada que domina o meu corpo. Sem saber que o cansaço constante é parte de mim. O Brasil é só uma fase, eles dizem. Mas todos sabemos que estamos todos errados. Burros são aqueles que se iludem e burra sou eu que sei a verdade e mesmo assim escolho o lado mais fraco.

Eu sou o elo mais fraco. O fecho da correntinha de ouro que arrebenta no assalto. Sou a arma, carregada e engatilhada pronta para disparar numa explosão. Quero percorrer os ares. Acertar corações como uma bala; num estardalhaço de bolo de festa. Tocar outras almas. Não pretendo em momento algum prometer guiá-las a um caminho mais sábio ou predizer a verdade. Quero somente manter meu silêncio estardalhante. E verdadeiramente ouvir.

Quero ser o mar que balança agitado para acompanhar a tempestade. Que os outros sejam tempestade. Que sejam a nuvem de gás que é dispersa por toda a atmosfera. Que engasguem na poluição e precisem chorar. Que despejem lágrimas ao chão, fruto inevitável da gravidade. Que espatifem contra a Terra. Deixe que se fragmentem e aprendam a se erguer sozinhos. Permitam que eu possa apenas lhes mostrar o quanto eles podem se nutrir. Transformem-se. Cultivem-se. Contorçam-se em longas árvores que tentam novamente chegar ao céu, que uma vez foi perdido. Deixem de ser água e sejam vida. Eu sempre serei mar. Distante de uma relação simétrica, somos imensidões jamais completamente compreendidas. Mas quero que saibam o quão imensos podem ser. Assim como eu procurarei essas respostas em outros.

"Você nunca vai ser paga", eles dizem. Sem entender que o que me prende aqui jamais foi o dinheiro. É claro que as profissões desvalorizadas deveriam ser, obviamente, valorizadas. Cuidar do outro não é leviano. Não deveríamos nos vender para poder ter dignidade. Eles dizem frases maldosas, quanto poderiam simplesmente dizer "é uma pena que sua profissão não é valorizada".

Eles dizem que jamais vou ser feliz. Mas escolhi minha carreira porque eu a amo. E se pudesse escolher de novo, escolheria de novo. E de novo. E de novo. E mais uma vez. Talvez as frustrações, limitações e impotências realmente me peguem de jeito nessa caminhada, logo mais ali na frente ao virar a esquina. Mas eu sou autêntica. E ninguém jamais vai poder tirar isso de mim.
09/03/2021

Vacina (TEXTO RUIM)


Queremos a vacina,
Como a cocaína
Que alimenta o viciado.

Sussurra-se às ruas
Vende-se em becos
Morre-se em brados.

Os que vivem, 
Lutam. 

Entre alienar para sobreviver
E sobreviver para alienar.
Desta vez, não é possível esquecer.
Não é possível respirar.

Nascemos vacinados,
Às dores que nos rodeiam
Aos dias que nos perseguem
E às frustrações entaladas.

O sol na pele 
O vento no rosto.
Com vacina ou sem vacina.

O vício nos persegue
Reprimido, em desejos distantes.

Cíclico

Às vezes fico triste,
Às vezes fortaleço,
Às vezes me entendo,
Às vezes me esqueço.

Às vezes me anestesio,
E quase sempre a anestesia acaba.
Meus pés sempre presos,
Às vezes fico atolada.

E quando tudo passa,
Retorno sempre ao começo.

Às vezes fico triste,
Às vezes fortaleço,
Às vezes me entendo,
Às vezes me esqueço.

04/03/2021

Resultados

Pandemia,
Endemia,
Polissemia,
De mesmos resultados.

Economia,
Nostalgia,
Perspectivas
 Esvaziadas.

04/03/2021