Casual - 28/01/2019


Cheguei ao corpo dele
Como quem chega num bar
Pra beber, pra dançar,
Simplesmente o tragar.

Em seus lábios, embebedei.
Em suas pernas, me diverti.
Com suas mãos eu conversei.
Nos seus braços, dormi.

Cheguei ao corpo dele
Porque queria embriagar.
Entorpecer, não sentir,
não queria me pesar.

Eu o amei
Como copo de bebida
Notando cada superfície
E ignorando suas feridas.

E o bebi com paixão.
Ele desceu pelo meu peito
Em completa queimação
Até sentir o seu efeito...

Mas depois, deitada à noite,
O vulto dele ressaltava
o espaço entre nossos corpos
E o silêncio da madrugada.

No céu o sol desponta,
No bar finda a noitada
As mesas sujas são limpas
E as cadeiras, empilhadas.

Sem clientes e sem vida
O bar vazio, se fecha.
As janelas são trancadas
Mas sempre sobra uma brecha.

Numa noite casual,
Vento frio adentra a sala
Seja antes ou depois,
Ele chega e se instala.

A queimação, passa
A tonteira, não dura.
Vento frio adentra a sala.
E a dor antiga, perdura.

28/01/19