"você não é derrotado quando perde. É derrotado quando desiste" - 18/11/2019

"você não é derrotado quando perde. É derrotado quando desiste".

      Li essa frase hoje de manhã, em um desses perfis motivacionais de Instagram. Havia semanas que não encostava em uma caderneta para escrever um texto, mas essa frase me fez pensar.      Veja bem, minha vida foi feita à base de apegos excessivos: diversas vezes fui prepotente demais e desistente de menos. Nunca foi do meu feitio ser a primeira a ir embora. Nunca fez parte de mim enxergar pontas soltas e entender que certas coisas quebradas não cabem dentro dos meus consertos e remendos. Nunca desisti de ideias, de pessoas, de sapatos velhos. Quando abro as gavetas em minha casa, tudo o que vejo são centenas - milhares até - de fragmentos de passado dos quais não consigo me desprender. Eu dou um remendo aqui, uma melhorada ali, uma limpada de poeira. Sim, eles estão quebrados. Mas eu também estou.
      Acho que meu maior desejo, nesses momentos, é segurar o relógio do tempo e, de alguma forma, pará-lo. Não quero ir pro passado ou pro futuro. Quero só...suspender o tempo por alguns instantes; cristalizá-lo. Quero olhar pra cada fragmento de história e entender quais realmente impactam em quem sou e quais eu posso só jogar na lixeira. Quero saber ao certo onde estou.      Mas, simultaneamente, agradeço todos os dias por não ser capaz de fazer isso. É na afobação que você aprende a se organizar. Nunca sabemos onde estamos ou quem somos ao certo. Nunca temos controle sobre os erros cometidos ou sobre a mudança deles. Sei disso, é claro, mas isso ainda me dói tanto! Isso me dói todos os dias. Isso me faz sentir impotente. E é por isso que quando li essa frase hoje de manhã meu coração se indignou. Mesmo com meu pesar, a vida continua me mostrando, sistematicamente, que, às vezes, desistir não é por ser derrotado pelas circunstâncias, e sim por saber reconhecer os próprios limites. Às vezes desistência não é sinônimo de derrota, é questão de força. E Deus sabe como batalho por essa força todos os dias.


18/11/2019

Ciúmes - 17/11/2019

Quando eu quis te amar,
Doei a você um pedaço de mim
Na esperança de cobrir
Os buracos do teu peito.

Que surpresa que eu tive
Ao te achar completa
Dona de si mesma.

Que surpresa que eu tive
Quando perguntaram o que é amor
E me vi demorar em responder
E soltar num susto
Que amor era eu mesmo

Pois o que era o amor
Além de um impulso egoísta?
Um vislumbre feliz
Que projetei em nós?

Você é a liberdade que nunca tive
Viajando no ar
Conforme a chuva te manda

Você é o gás nobre 
Que se dissipa num instante
E que não aceita jamais
A prisão dos meus braços.

O amor não é o horizonte
Não é a completude que te prometem os filmes
Ele nunca é,
Não é feito,
Às suas expectativas

O amor cresce,
O amor se expande,
O amor se esvai por entre seus dedos.

O amor some,
Como dentes de leite
Que não nos servem mais.

Nunca quis te sufocar
Mas ocupei cada brecha
 que você construiu pra respirar

Invadi seus mares
E águas turbulentas 
Que não ainda estavam prontas pra se mostrar

Meu erro não foi te amar demasiado,
Era te amar a todo tempo.
Amor egoísta,
Sujo,
Desamor.

De forma alguma te amei
E te peço perdão.

Você quis ir.
Tudo o que pude 
Foi te dar razão.

Metapoema - 09/11/2019

Isso não é um metapoema.
É um paradoxo.
Caro leitor,
Você não sabe
Como é difícil 
parir as palavras certas

A rima precisa
O ritmo preciso
O sentimento preciso.

Meus poemas vêm se perdendo
Há mais tempo do que posso contar
Eles se perdem em minhas mãos ocupadas
E nos sentimentos confusos
Que não sei descrever.

Minhas lágrimas escorrem
Minha face se alegra
Me sinto em paz
Mas meu peito pesa.

Isso não é um metapoema.
Porque não é poema algum.
Isso sou eu em mim mesma:
Palavras vazias,
Uma página em branco,
Um vazio absoluto.