Li essa frase hoje de manhã, em um desses perfis motivacionais de Instagram. Havia semanas que não encostava em uma caderneta para escrever um texto, mas essa frase me fez pensar. Veja bem, minha vida foi feita à base de apegos excessivos: diversas vezes fui prepotente demais e desistente de menos. Nunca foi do meu feitio ser a primeira a ir embora. Nunca fez parte de mim enxergar pontas soltas e entender que certas coisas quebradas não cabem dentro dos meus consertos e remendos. Nunca desisti de ideias, de pessoas, de sapatos velhos. Quando abro as gavetas em minha casa, tudo o que vejo são centenas - milhares até - de fragmentos de passado dos quais não consigo me desprender. Eu dou um remendo aqui, uma melhorada ali, uma limpada de poeira. Sim, eles estão quebrados. Mas eu também estou.
Acho que meu maior desejo, nesses momentos, é segurar o relógio do tempo e, de alguma forma, pará-lo. Não quero ir pro passado ou pro futuro. Quero só...suspender o tempo por alguns instantes; cristalizá-lo. Quero olhar pra cada fragmento de história e entender quais realmente impactam em quem sou e quais eu posso só jogar na lixeira. Quero saber ao certo onde estou. Mas, simultaneamente, agradeço todos os dias por não ser capaz de fazer isso. É na afobação que você aprende a se organizar. Nunca sabemos onde estamos ou quem somos ao certo. Nunca temos controle sobre os erros cometidos ou sobre a mudança deles. Sei disso, é claro, mas isso ainda me dói tanto! Isso me dói todos os dias. Isso me faz sentir impotente. E é por isso que quando li essa frase hoje de manhã meu coração se indignou. Mesmo com meu pesar, a vida continua me mostrando, sistematicamente, que, às vezes, desistir não é por ser derrotado pelas circunstâncias, e sim por saber reconhecer os próprios limites. Às vezes desistência não é sinônimo de derrota, é questão de força. E Deus sabe como batalho por essa força todos os dias.
18/11/2019