Meu bloco na rua - 13/02/2019

       Samba no pé. Beijo na boca. Caixa de som.Tombos feios.Purpurina. Álcool. Vômito. Cansaço. Caminhada. Perder o bloco.Esbarrar no amigo que você não vê a 3 anos. Achar o bloco errado. Se perder do amigo que você combinou de encontrar. Beijar quem não devia. Achar o bloco certo. Beijar quem devia. Conhecer gente nova. Esquecer gente velha.
      Todo carnaval é exatamente o mesmo. E mesmo assim, é uma das datas de maior celebração no Brasil. Durante uma semana, as ruas lotam; o tempo desacelera. Mercados fecham as portas, carros são recostados na garagem e não há uma única alma que não respire a notícia que se espalha pelo ar: o carnaval chegou na cidade. E tudo é possível.
      Nas ruas, amores antigos reacendem, amizades novas são perdidas e sempre há a possibilidade de acordar no dia seguinte a 30km de casa. A única certeza que se tem é que não existe certeza alguma. E que nada, absolutamente nada, vai ser do jeito que você planejou.
      Por isso que mesmo com todas as mazelas e defeitos do feriado - que realmente precisam de solução- todo ano o carnaval volta. Sempre maior e em mais lugares que no ano anterior.
      A  tradição vive porque apesar de todo carnaval ser exatamente o mesmo, não há um que seja igual ao outro. Carnaval é inconstância. Espontaneidade. A tradição nunca morre porque cada pessoa que põe seu bloco na rua está à procura do acaso. Cada pessoa ali sabe que todo mundo precisa se entregar ao carnaval da vida vez ou outra.