Destrutiva

Preenchi meu estômago com gordura 
Esvaziei meus pulmões em fumaça.
Entupi minha boca com gás
Vendi meu corpo de graça.

Minhas falas, os jeitos, os brincos
Escondidos aqui dentro
À espera de um motim.

Destruí cada parte do meu eu
Pra não me encontrar em mim.

Não posso ser feliz
E esvaziar a tristeza.
Pois o que sobra do meu eu 
Além da melancolia pura?
Da melancolia coesa?

29/12/2020


Moeda salgada

Como as moedas nos olhos dos faraós,

(Aqueles que morriam e pagavam a travessia para o além),

A água salgada ocupa minhas pálpebras:

em um pagamento de minhas escolhas;

das travessias onde morro.

(e renasço novamente).

15/12/2020