Sobre Modas - 05/2018

Nos desfiles de verão
A cidade
É a nova roupagem
Da solidão.

Maio 2018

Ansiedade - 05/2018



Eu x o monstro
O monstro x Eu.


Ele nasceu dentro de mim
Ele cresce dentro de mim
Ele sobrevive do que faço
Ele se encontra no meu peito.

Ele prende minha respiração
Ele dispara meu coração Ele controla a emoção
Ele pesa aqui no centro.

Eu x O monstro
O monstro x Eu
Às vezes eu perco a briga
Às vezes ele implica
E eu choro de frustração.

É você contra o monstro ele tomou o controle e não deseja sair e você briga briga briga incomodada de não saber ao certo como chegou ali naquele estado as veias palpitam a visão escurece o corpo esmorece e agora o que fazer com esse tanto de gente encarando alguém fala com você e te diz pra respirar mas pelo amor de Deus você não sabe respirar e será que eles não podem só se afastar um pouco não sabe respirar não sabe pedir nada não sabe andar não sabe agir racionalmente e meu Deus.

Em que momento exato você perdeu o controle de si?
Recentemente minha vida
É sempre O monstro e Eu
Sempre Eu e o Monstro.

Ele me acompanha
Me conhece como ninguém

Eu x o monstro
O monstro e eu
O monstro é eu.

Eu sou ansiedade.
Maio 2018

Cidade Grande

Quanto tempo o tempo tem? Quanto tempo leva um tempo? Às vezes 1 segundo. Às vezes horas. Às vezes anos.
Quanto tempo de tempo temos? Quanto aproveitamos? O quanto vemos a tempo?
Temos tempo? Temos pouco. Tem muita coisa.
E nesses tempos, de curto tempo e muito relógio, sucumbo.
Me afogo no coração da cidade. No sufoco da fumaça. No stress das passadas largas.

Sobre Função Fática - 05/2018

No aniversário de 20 anos de casados:

-Querido?

-Sim?
- A luz parou de funcionar.
-Nossa amor, que profundo!
-Profundo?
-Sim! Como que a lua parar de funcionar pode não ser profundo?
-Mas eu disse "luz".
-Ahn?
-Eu disse que a luz acabou de apagar. Não a lua.
- Como assim? A luz?
-Sim, querido. A luz do quarto queimou. A lua permanece intacta.
-Aaah, entendi. Certo, me desculpe querida, te interpretei mal.
-Tudo bem. Acontece...
-Acontece...
-É.
-Pois é...
- .
- !!! -
-.
- ?
-.
-Eu... acho que te amo.
-O que disse?
- Disse que ainda te amo.
- Sei o que disse.
-E então?
-Então o quê?
-Você ainda me ama também?
- Se eu...nossa, às vezes você é dado a uma poesia, não é, Beto?
-Acho que sim, não sei.
-Sinto muito.
-Me desculpe.
-Tudo bem, acontece...
-Acontece...
-É.
- Pois é.


Maio 2018

Só - 04/2018

Era só

Botar
O pé
no chão.

Era só
percorrer
Os mínimos
centímetros.

Era só
Levantar
Da cama

Era simples
Era pequeno
Mas ele

Era só.






Abril 2018

A Primeira Inquietude - 05/2018


É um sentimento desconhecido, você tenta associar a algo que já viveu. É como uma paixão: seu coração dispara, suas mãos suam e há um aperto no fundo do estômago. A respiração ofegante e entrecortada. De início, você não entende: por que sentir-se apaixonada, se não há amores recentes na sua vida? Recentemente há somente lembranças pálidas de amores perdidos. É só você e você mesma.
Mas então, a sensação se transforma, e você descobre que é algo muito mais teimoso que amor. Algo muito mais monstruoso.
Seja um pensamento errado ou o sorriso de um amigo, algo faz com que, de uma vez só, o aperto do estômago se expanda. Ele percorre suas veias como água gelada e paralisa seu corpo. Toma conta do seu peito. Toma conta dos seus pulmões. E por um instante, há um certo torpor, uma suspensão do tempo na qual você não sente absolutamente nada.

Depois vem a tempestade.

Como a mão de um pai bravo, o aperto piora. Seus pulmões são comprimidos e não existe ar limpo suficiente que permita sua respiração. Lágrimas indiscriminadas percorrem suas bochechas, querendo inutilmente aliviar a falta de oxigênio. Sua cabeça fica pesada. Você se senta, desesperadamente tentando puxar qualquer oxigênio e alguém preocupado para e pergunta se está tudo bem, sem compreender que naquele exato momento está acontecendo uma luta dentro de você que toma toda a sua atenção e não te permite responder.
É você contra o monstro ele tomou o controle e não deseja sair e você briga briga briga incomodada de não saber ao certo como chegou ali naquele estado e agora o que fazer com esse tanto de gente te encarando alguém fala com você e te diz pra respirar mas pelo amor de Deus você não sabe respirar e será que eles não podem só se afastar um pouco não sabe respirar não sabe pedir nada não sabe andar não sabe agir racionalmente e meu Deus.
Em que momento exato você perdeu o controle de si?
Sim, há uma certa inquietude que lhe circunda nos últimos tempos. Um certo tremular de mãos e os pensamentos saturados. Mas nunca, nunca foi assim. Com os joelhos recostados no peito, você se pergunta qual o nome desse monstro.
Muito mais tarde, quando a crise tiver passado, alguém te dirá a palavra longa, mas de pronúncia curta: an-si-e-da-de.


Maio 2018