Sou filha de um estado
De muita fé
Muito colo
E muita gente.
Tem pamonha,
Roça,
E paiol.
Pincelei nas paredes da mente
A cachaça, as varizes e os montes.
Não quis deixar pra trás
Mesmo quando todo mundo me disse
Para deixar pra trás.
Pão de queijo
Prédios
Doce de leite
Minhas roupas já não são as mesmas
Minhas expressões já não são as mesmas
Minha fé já não é a mesma.
Sou regada de cores
Que imprimem novas formas
Em quem sou.
Mas pinceladas não saem por qualquer abobrinha.
Novos sapatos
Postura arrumada
E riso fácil.
Às vezes, quando sinto falta,
Minha fala me entrega
E se canta sozinha.
São 726km
Que me separam de lá.
Setecentosevinteseis.
Agora, presa em casa,
Rezo ao Universo
Para que minhas raízes sejam mais profundas do que pensei
E que possam percorrer todos os km,
Me ligar à minha cidade e à todas as pessoas que deixei,
Rezo para que minhas raízes se expandam
Para me lembrar de onde venho
E para proteger cada filho como eu.
Pois hoje,
Minha fala se canta a cada sílaba de prosa.
E cada canto que ressoa
É um canto de saudade.
26/05/2020
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| Centro da Comunidade Mumbuca ao Norte de MG, 2018 |


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