Minha mãe
canta e cozinha
carnes,
coxas,
batatinhas,
cheiro de almoço.
Mão levanta
panela,
Sobe forte a
fumaça,
E reparo
através da claridade
Pequenos cortes que abraçam:
Carnes,
Coxas,
Batatas,
Pescoço.
Coxas,
Batatas,
Pescoço.
Num súbito
truque da luz
Os ingredientes
na panela
Confundem-se à
sua pele
E já não sei
Qual corte é
qual.
Ela conversa animada,
E me pergunto
calada
Se as marcas
ali
São de faca ou
da vida.
Marcas que carrega
Para que eu
jamais tenha de carregá-las também.
30/05/2020
Nenhum comentário:
Postar um comentário