Ciúmes - 17/11/2019

Quando eu quis te amar,
Doei a você um pedaço de mim
Na esperança de cobrir
Os buracos do teu peito.

Que surpresa que eu tive
Ao te achar completa
Dona de si mesma.

Que surpresa que eu tive
Quando perguntaram o que é amor
E me vi demorar em responder
E soltar num susto
Que amor era eu mesmo

Pois o que era o amor
Além de um impulso egoísta?
Um vislumbre feliz
Que projetei em nós?

Você é a liberdade que nunca tive
Viajando no ar
Conforme a chuva te manda

Você é o gás nobre 
Que se dissipa num instante
E que não aceita jamais
A prisão dos meus braços.

O amor não é o horizonte
Não é a completude que te prometem os filmes
Ele nunca é,
Não é feito,
Às suas expectativas

O amor cresce,
O amor se expande,
O amor se esvai por entre seus dedos.

O amor some,
Como dentes de leite
Que não nos servem mais.

Nunca quis te sufocar
Mas ocupei cada brecha
 que você construiu pra respirar

Invadi seus mares
E águas turbulentas 
Que não ainda estavam prontas pra se mostrar

Meu erro não foi te amar demasiado,
Era te amar a todo tempo.
Amor egoísta,
Sujo,
Desamor.

De forma alguma te amei
E te peço perdão.

Você quis ir.
Tudo o que pude 
Foi te dar razão.

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