Ápices Madrigais - 07/2017

Entre beijos descontidos
E silêncios suspirados
Há descompasso ritmado:

Rangidos,
Gemidos,
Carícias,
Cabelos,
Braços,
Pernas,
Pés.
Mãos,
Pele,
Beijos...
Língua...
Ah! Gemidos...
Silêncio.
junho 2017

Para Rita - 06/2017

Eu sou louca. Desnorteada.
Sou a abusada que toca sua campainha na madrugada.
Sou a folgada que vai deitar no seu sofá e te pedir um beijo.
Sou a safada que vai te enlouquecer
como você nunca enlouqueceu.

Não tenho mãos delicadas
Vozes contidas
Gestos suaves.
Não sou como ela.

Sou a tempestade no meio da tarde
Sou intensidade numa paisagem insossa
Sou muito, até demais.
E você vai me amar por isso

Mas ah, Dona Rita,
Eles amam as loucas
E casam-se com outras.

Sou o resto de lixo que você vai jogar fora.
E então eu vou embora
Sem nem mesmo olhar pra trás.

06/2017


Morro - 2017

Não morro
No morro
Que pede
Socorro

Eu morro
Tão longe
Tão onde
Há carros
Há luxo.

Eu morro
Tão perto.
Tão tarde
Desperto

Eu morro nos sons
Das balas
Das balas
Das balas

Eu morro
De tudo
Eu morro
De nada

Eu morro frustrada.


2017

Dias Ruins - 2016

Quando acordo com o pé esquerdo, atropelando o despontar do dia, tropeçando em meus sapatos e caindo na confusão do cotidiano, tudo o que preciso é um sorriso seu. Não há remédio ou calmante. Só há você.
E então, você me abraça. Eu sinto seu cheiro de roupa limpa. Sinto o cheiro de cidade, que tanto repudio, e que de repente não parece tão ruim assim.
E então, você me beija. Subitamente, não sou capaz de recordar o que a pouco me estressava.
Boca com boca, dente com dente, língua com língua. Nossas mãos se encaixam. E por alguns instantes, o resto do mundo também.



2016