Ainda me dá ansiedade. Ver rostos trafegando sinais e os sinais verde amarelo vermelho dos tráfegos de carro. As cabeças fervendo sob o sol de rachar no meio dia. O bigode suado pelo pano que recobre as bocas.
Carrego essa angústia, uma ausência de certo e de errado que me faz flutuar entre pensamentos e sentimentos aos quais não sei a qual ceder. Não posso me apoiar na legislação. Não posso me apoiar no núcleo familiar. São doenças que se espalham e contaminam as cabeças dos que circundam. A Doença ainda está aí. A vacina já está no meu braço. Por duas vezes, devidamente imunizada.
Mas por vezes sinto que carrego em minhas mãos todas essas vidas. Todas as incertezas das informações inconfirmadas, e das repercussões tenebrosas que poderiam surgir. Ainda são 7 mortes por dia no distrito federal. Sete famílias por dia, enlutadas. E eu, que lutei por tanto para me controlar, sacrifiquei todo o progresso da minha saúde mental em troca da saúde coletiva, ainda choro o choro delas. O choro dessas pessoas que andam de cabeça quente pelos sinais.
A ansiedade que me toma, vem do peso do coletivo. De entender que minhas mãos ainda se confundem com as mãos delas. E que minha vida pode facilmente se cruzar com a sua. Mas há tantas almas longe das minhas. Tantos corpos que queria abraçar. Tantas dores que agora carrego em meu peito. Sou humana, afinal. Necessito do afeto.Tudo isso. Tudo isso me dá ansiedade.
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