Súbita Paixão

 Eu vi você.

Meu coração disparou como uma arma,
As batidas palpitantes assombrando minhas veias,
Meu estômago em queda livre como uma bigorna em desenho
Minhas mãos tremulantes como piscina infantil
Minha voz engasgada como um almoço rápido,
Minha pele suada como...
Uma tampa de marmita.

Como a tampa da marmita que comi no dia anterior
Enquanto refletia sobre as escolhas que fiz nesses últimos anos
Sem a certeza de sim, nem de não, sem certeza de nada.

O nada que abraça meus dias agora
O vazio que prenche os espaços que eram cheios de propósito
A sequência fria do dia a dia
Que preenche minha rotina

A rotina que me prende dentro de casa
Enquanto reflito, sem a certeza de nada
Não...esse verso eu já escrevi
Mas o que escrever se tudo o que me preenche é justamente o vazio?

Eu vi você.
Frente a frente a mim.
Meu coração palpitava
Minhas mãos suavam frio
E por uns instantes achei estar apaixonada.
Mas você, refletida no espelho,
Sempre soube melhor.
Era, novamente, a ansiedade.

7/10/2020

Nenhum comentário:

Postar um comentário