Não há homem na terra que não tenha olhado a própria reflexão e sentido um estranhamento com sua própria imagem.
Por alguns instantes, desconhecer seus próprios olhos, seu nariz, a pinta do lado esquerdo da boca. Sair, numa fração de segundo, de seu eu próprio e se olhar fora de si. Encontrar em seu rosto uma assimetria jamais reparada. Se surpreender com a própria expressão de surpresa.
Nesse mísero instante, somos dois a partir de um só. Quantas vezes, ao longo de nossas vidas, não desejamos sairmos de nós mesmos para tentar nos encontrarmos? Para abordarmos as questões de outro ângulo. Para tentar compreender questões incompreensíveis a partir da nossa perspectiva. Quantas vezes não queremos nos esquecer de nosso corpo?
E ali está, em um belíssimo e raro momento. Geralmente passa batido. Não admiramos esse instante que, quase como um suspiro, se vai. E sem mesmo notarmos, o estranhamento desvanece. E nós voltamos à confusão de nós. Às confusões de ser.
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