Sentar no sofá
E abrir a cortina
Pra observar a manhã ensolarada
Que desaba lá fora.
De súbito,
Me dá falta de ar.
Respiro fundo, faço yoga
Me alongo, cabeça no lugar.
Mas nada expande meus pulmões
Do modo
Que o ar puro
Fazia antigamente.
Abrir a cortina não é suficiente.
Manter a janela fechada -
Ser obrigada a isso -
Me dá saudade.
Com vírus ou sem vírus
Meu corpo já não é o mesmo,
Minhas juntas doem.
Sou privada de liberdade.
Mas me lembra todo dia
Da importância que é
Cuidar da minha casa,
Do meu templo,
Do meu corpo.
Pois agora
Todos os três se confundem;
Se tornaram o mesmo.
Minha casa é meu templo,
O meu templo é meu corpo
E meu corpo é minha casa.
E todos nós precisamos
nos manter equilibrados.
Combater lentamente
Essa infecção generalizada.
12/04/2020
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