Ser mulher
É se agredir
Constantemente
E umas às outras
Por princípios criados por eles
E que sabemos estarem errados.
Ser mulher
É odiar coisas
Que logo ontem
Você amava
E em certos dias
Despir essas amarras:
Renegá-las, cuspi-las
Na esperança de que amanhã
Você não as vista de novo.
.
.
Um arrepio sobe minha espinha
Quando percebo
Que não importa o quanto eu caminhe
O quanto eu desconstrua
Que apesar de amar,
Não importa o apoio delas:
Ainda me reconheço mulher
Pelo ódio a mim mesma.
Sempre acordo na esperança
De ser o dia de ter uma força descomunal
Para me ver mulher
Em tudo aquilo que amo em mim
Estender minhas mãos
E pernas,
E pele,
E braços,
A todas elas que me envolvem e abraçam
A todas elas que me ferem e me destroem
Para que juntas descubramos um novo ser mulher.
Porque hoje, sinceramente,
Ainda não sei quem sou.
E não sei o que fazer
Com as raízes que carrego em meu útero.
07/04/2020
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