Exilada - 07/2015

Minha terra não tem nada
Nem palmeira ou sabiá
Não tem floresta ou primores
Só tristeza e o meu pesar

Nossas várzeas são estradas
E o asfalto queima a pele
Pele negra aqui escalda
Pele índia nos expele

Minha terra não tem nada
Nem comida ou escola
Tem futebol, é bem verdade
Não tem pão, mas se tem bola

E os menino aqui são crack
E cocaína, são também
Logo, logo são bandido
E não vai sobrar ninguém

Minha terra tem protestos
Panelaço e discussão
Tem esquerda e tem direita
Muito lado, e a direção?

Em cismar sozinha à noite
O que faço é chorar
Minha terra eram palmeiras
Onde estão os sabiás?

07/2015

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