É um sentimento desconhecido, você tenta associar a algo que já viveu. É como uma paixão: seu coração dispara, suas mãos suam e há um aperto no fundo do estômago. A respiração ofegante e entrecortada. De início, você não entende: por que sentir-se apaixonada, se não há amores recentes na sua vida? Recentemente há somente lembranças pálidas de amores perdidos. É só você e você mesma.
Mas então, a sensação se transforma, e você descobre que é algo muito mais teimoso que amor. Algo muito mais monstruoso.
Seja um pensamento errado ou o sorriso de um amigo, algo faz com que, de uma vez só, o aperto do estômago se expanda. Ele percorre suas veias como água gelada e paralisa seu corpo. Toma conta do seu peito. Toma conta dos seus pulmões. E por um instante, há um certo torpor, uma suspensão do tempo na qual você não sente absolutamente nada.
Depois vem a tempestade.
Como a mão de um pai bravo, o aperto piora. Seus pulmões são comprimidos e não existe ar limpo suficiente que permita sua respiração. Lágrimas indiscriminadas percorrem suas bochechas, querendo inutilmente aliviar a falta de oxigênio. Sua cabeça fica pesada. Você se senta, desesperadamente tentando puxar qualquer oxigênio e alguém preocupado para e pergunta se está tudo bem, sem compreender que naquele exato momento está acontecendo uma luta dentro de você que toma toda a sua atenção e não te permite responder.
É você contra o monstro ele tomou o controle e não deseja sair e você briga briga briga incomodada de não saber ao certo como chegou ali naquele estado e agora o que fazer com esse tanto de gente te encarando alguém fala com você e te diz pra respirar mas pelo amor de Deus você não sabe respirar e será que eles não podem só se afastar um pouco não sabe respirar não sabe pedir nada não sabe andar não sabe agir racionalmente e meu Deus.
Em que momento exato você perdeu o controle de si?
Sim, há uma certa inquietude que lhe circunda nos últimos tempos. Um certo tremular de mãos e os pensamentos saturados. Mas nunca, nunca foi assim. Com os joelhos recostados no peito, você se pergunta qual o nome desse monstro.
Muito mais tarde, quando a crise tiver passado, alguém te dirá a palavra longa, mas de pronúncia curta: an-si-e-da-de.
Maio 2018
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