Beagá - 04/2018


Tic-Tac o tempo passa
O Tic-Tac ressoa
Não importa o que eu faça

É Tic-Tac nas escolas
Tic-Tac nas igrejas
Tic-Tac nos namoros
e Tic-Tac nas cervejas

E quanto mais na rua soa
No pulmão é menos ar
É Tic-Tac a toda hora
Não podemos só...
Parar?

Fica.


Fica,vai ter bolo.
Faça uma xícara de café
Apóie os pés na mesa,
Abra a geladeira.

Minha casa é sua.

Não faça firulas com meus copos,
Minha comida,
Meu sofá.
Não se apegue a delicadezas e boas maneiras.

Se apegue ao meu corpo:
Minhas mãos,
Meu sorriso,
Meu cabelo...
Meu verdadeiro templo.

O resto,
Acredite,
É simplesmente secundário.

Madrugadas de Sol

 Eu acordei desesperada
E vi o sol iluminar.
Achei estranho a madrugada
Já estar a clarear

Fechei janela,
Fechei cortina,
Mas o sol permaneceu.
Eu te olhei e entendi
Era você, que adormeceu.

E sua pele irradiava
Meus segredos de ninar
Os bonitos e os obscenos
Sussurrados...Serenos...
Naquela noite de luar

Que quadro bonito
Se formou à minha frente!
Minha colcha, suas formas,
Nossa história latetente.

Você e o sol manso
Que acalanta e embala
Você e o sol forte
Que queima a pele e se instala

Estonteante,
Apaixonante,
Parte viva de mim.

Borboletas,
Silhuetas,
Cheiro fresco e alecrim.

12/03/2018

Sobre sintonia

Eles eram o casal perfeito. Ele fazia o café no coador de pano. Ela varria a casa com aspirador de pó de última geração.
Certo dia, ela foi ao centro da cidade e comprou uma cafeteira elétrica qualquer.

Discutiram.
E ele foi embora na manhã seguinte.



Março 2018