31/07/2021

 Me consome por dentro essa necessidade de aprofundar. Não desejo ser rasa em nada. Quero ser a mulher mais amada por alguém, a funcionária mais aplicada em tudo, o sorriso mais largo que alguém pode abarcar. 

É um espírito investigativo. Um pouco vaidoso; talvez. Futuco cada beco até que ele se torne uma rua iluminada. Depois regojizo em silêncio o trabalho que fiz. Contemplo de longe, em minhas águas paradas.

    Lá, ao longe, um vulcão incendeia. Espalha numa fúria presente, suas cinzas a todos os ares que ousam roçá-lo. As rochas estrondosas quebrantam uma a uma, felizes de finalmente estarem libertas de seu estado sólido.  Vulcões são águas paradas que se deslocam à força. Pedaços de Terra, que jamais acharam ser descobertos, num segundo se anunciando ao mundo. Profundos e rompantes. 

Há certas erupções que nos tomam vulcões. Uma vez deslocada a fina camada que recobre o processo, o calor instantâneo toma a cena por completo.  Queima o rosto, o peito, as pernas. Nos impede de andar. A gente paralisa, interrompendo um suspiro, mais pela surpresa do que pela dor que atinge. Paramos inertes, segurando a humilde pá que se torna minúscula frente ao caos que se formou. Tudo se explode. Minha pele se escalda frente à minha responsabilidade nisso.


31/07/2021


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