Nova muda

Você comprou uma nova muda
Que jurou que ia molhar.
A coitada aqui resseca
E rejeita o novo lar. 

Suas mãos jamais alcançam
O feio e fino
regador.

Elas percorrem suas gavetas,
Suas cordas,
Meu suor.

Sua mão
plantada
na minha.

Você respira baixinho
No mundo pacato
Da nossa conchinha.

A madrugada nos transpassa
Numa calma sem graça
Que nos deixa o silêncio
E nos faz um carinho.

Sua planta da casa:
A cama de solteiro
Num aperto certeiro
Aos moldes que necessito.

A gente fala bobagens.
Sem motivo, hesito
Minhas raízes são profundas
E nem tudo é prescrito.

A gente descobre defeitos
A gente compensa passado
A gente celebra carícias
A gente se encaixa errado.

Minha história
Plantada 
Na sua.

Ainda há um mundo não dito
Entre as mãos
Que agora se tocam.
Não nego.

Mas quando você, esquecido,
Deixa a muda morrer,
Eu digo, "querido,
Deixa comigo."

Eu rego.

06/05/2021



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