Pontuado, havia pontes.
Os manequins distantes
Encontravam linhas firmes
De azulejo e granito.
Pontuado, havia pontas
de coração a coração
Que descamavam o plástico
E exibiam o ferro.
Linhas tortuosas que desciam as escadas
Luzes flutuantes que subiam elavadores
Risadas de leve que segredavam piada.
Antes, havia pontes.
De cada víscera exposta
Aprendi a amá-las.
E aceitar os vincos que sulcavam o plástico.
Quando os azulejos se foram
As luzes flutuantes se apagaram
E o ferro exposto se tornou espinho,
Não soube voltar atrás.
E cá estava eu, completamente derretida.
Cá estava eu, completamente desmembrada.
De departamento em departamento,
Isolei-me.
23/05/2021
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