Corpos falam. Seja no rosto em expressões de paixão, seja nos poros, em momento de tensão. Corpos falam mesmo quando não queremos. Nossos corpos falam quando encontramos alguém completamente diferente e arregalam em espanto. Nossos corpos enrugam quando estamos envergonhados. Nosso sangue esquenta quando estamos com raiva. Eles falam com as mãos, com os ossos, com o estômago.
Os corpos falam e ressoam cada parte de nós. E cada crença que adentra nosso peito. Conhecer nossos corpos é conhecer as vírgulas sociais que orquestram nossa vida. Dos nossos pés à nossa cabeça, nossos corpos são a perfeita interação de nossas mentes e o mundo. E às vezes ignoramos seus sinais. Ignoramos o protesto que nos sobe a garganta e deseja explodir em alto e bom som.
Ignoramos nossos corpos pois às vezes ouvi-los implica questionar e ressignificar nossas crenças. Implica ser incomodado pelas vírgulas sociais que ecoam dentro de nós. E, às vezes, é mais fácil se fechar dentro de si. E tudo permanece igual. O controle dos nossos corpos é de outros. O controle do corpo de outros é de terceiros. Permitimos a asfixia. Lenta. Gradual. Fatal
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