Amei-o entre um café e outro,
Entre o contraste rouco,
Dos raios de sol,
E os escuros no meu peito.
Amei-o desajeitadamente
Desajustadamente
Nas trôpegas passadas
Que fingiam segurança.
Amei-o como quem nada quer,
Com desejos de mulher
E ações de uma criança.
Tão perdida,
Tão faltada,
De coisas nunca antes precisadas
E somente encontradas
Em nossas bocas misturadas
Amei-o sem ter mais jeito
Impossível ser desfeito
O mundo que ele me deu.
Era preciso amá-lo.
Era preciso cuidá-lo.
Era preciso tê-lo.
Sim, amei-o...
Mas desamei-o.
- desarmei-o.
Desalmei-o.
Fui eu a fechar a porta
Mas também fiquei nublada
Dentro da casa bagunçada
Que construímos com cuidado.
A casa de concreto
Com fundações de baralho.
As tempestades derrubaram
As cartas maleáveis
Me deixando nua
exatamente no centro.
E foi nesse momento,
nesse exato momento,
Encolhida,
revolvida de frio
Revolvida de vento,
Que arrependi
de ter te deixado entrar,
Pra início de conversa.
11/10/2018
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